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Dor: Um mecanismo de defesa ou um fardo a ser carregado ao longo da vida?

            A definição atualizada pela IASP - Associação Internacional para o Estudo da Dor diz que a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano tecidual real ou potencial.

Complexo? Vamos deixar esse assunto mais leve e compreensível. 

 

            A dor envolve muito mais que um processo físico, a dor recebe influência de fatores emocionais e sociais e é exatamente por isso que não podemos comparar a percepção de dor entre indivíduos ou julgar a resposta que cada indivíduo possui a determinado quadro doloroso. E quando o fisioterapeuta leva essas informações em consideração, aumenta as chances de o paciente aderir ao tratamento fisioterapêutico.

De fato precisamos admitir que a dor pode ser algo extremamente limitante e desagradável, mas também não podemos negar que ela possui um papel importante para a nossa sobrevivênciaA dor aguda tem uma função protetora no sentido de evitar um dano tecidual maior e pode levar até 3 meses para se resolver. Além disso, quadros agudos de dor tendem a se resolver com ou sem intervenção porque tem um período considerado natural para isso acontecer. Já a dor crônica é aquela que persiste por um período maior que 3 meses, deixa de ter um papel na nossa sobrevivência e pode se tornar um fardo na vida das pessoas.

 

            Para exemplificar,  imagine se você não sentisse nada ao colocar a mão em uma chapa quente? A chance de dano seria muito maior e ao aceitar que a dor tem um papel importante como protetora em humanos e animais não humanos, o pacinete avança um grande passo. 

 

Mas, o desafio maior está em entender a dor crônica. Como explicar que um tecido já cicatrizou, mas a dor não passou? A maioria de nós concorda que sentimos dor quando nos machucamos, correto? Mas já parou pra pensar que você pode se machucar e não sentir dor? Todo mundo já passou pela experiência de encontrar um roxo na perna e não lembrar onde e nem quando foi que se machucou. Definitivamente, a relação entre dor e lesão não é tão clara como imaginamos. 

 

 Entenda que humanos e animais não possuem sensores ou qualquer estrutura no corpo que alerte especificamente sobre dor ou que um processo de dor esteja se instalando. Possuímos sensores de tração, pressão, temperatura e químicos (comumente ativados em processos inflamatórios) que de uma forma simplificada, ativam nervos que conduzem um sinal de perigo para o nosso cérebro que vai interpretar esse sinal e o resutado final será maior, menor ou nenhuma dor.

 

            Isso explica porque quando estamos com a atenção em algo mais importante ou em risco iminente de um grande perigo,  muitas vezes não sentimos a dor no momento que a lesão ocorre ou só sentiremos se vermos ou tocarmos.  Pra exemplificar, imagine que você está atravessando a rua correndo, faz um entorse de tornozelo, mas percebe que tem um ônibus vindo rapidamente. A tendência é ignorar a sensação dolorosa do entorse porque existe um perigo muito maior se aproximando e é provável que você sentirá a dor no tornozelo em maior intensidade  quando estiver a salvo na calçada.

 

            Se a dor é processada no cérebro e dor e lesão não sinônimos, o que de fato acontece em pessoas com dor crônica? Para deixar compreensível, podemos afirmar, através do estudo da moderna neurociência da dor, que algumas pessoas desenvolvem uma modificação na captação desse sinal que vai até o cérebro e/ou que o cérebro tenha sofrido modificações que tornam o sistema de alerta para o perigo mais sensível e a resposta para dor aumentada. 

 

            Agora você deve estar pensando que complicou. A dor crônica é mesmo complexa, mas a boa notícia é que o sistema nervoso é plástico ou seja ele se modifica de acordo com os estínulos que recebe. Exatamente por esse motivo que a dor cronifica porque o sistema nervoso sofreu um processo mal adaptativo, mas é também por esse motivo que, com os estímulos adequados,  ele pode ser capaz de se readaptar e a pessoa pode voltar a viver com mais qualidade de vida.

 

            Esperamos que tenha ficado um pouco mais claro pra você como a dor é processada e como é importante que o fisioterapeuta e o paciente sejam capazes de entender e utilizar esse conhecimento durante o processo de reabilitação. Essa ferramenta se chama “educação em dor” e falaremos mais a respeito em outro artigo.

 

             Conte com a equipe Neocore para te ajudar a dar o primeiro passo para uma vida com mais saúde e menos dor.

 

Equipe Neocore

 

Neocore: Saúde em Movimento

 

 

Bibliografia:

- Internacional Association for the Study of Pain: Disponível em https://www.iasp-pain.org/

- LOUW, Adriaan; PUENTEDURA, Emilio; SCHIMIDIT, Stephen; ZIMNEY, Kory. PAIN NEUROSCIENCE EDUCATION. Teaching people about pain. 3 ed, Minneapolis, 2019.

- Neurociência e dor. Diponível em http://pesquisaemdor.com.br

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